[Virando a Página] Meu livro, meu Amigo!

Olá, tudo bem com vocês?

Hoje resolvi trazer um texto da revista Vida Simples do colunista Eugenio Mussak vou colocar ele na integra para servir de inspiração pois achei essa coluna perfeita para quem ama ler como todos nós, apesar de ser um pouco grande vale a pena a leitura.
Meu livro, meu amigo
A leitura de romances, ficções ou mesmo de biografias ajuda a tornar nossa rotina muito mais colorida e graciosa.



Comprei o último livro do Veríssimo ( Os Últimos Quartetos de Bethoven e Outros Contos, da Objetiva) no aeroporto e vim devorando no avião. Costumo ler os livros dele assim que são lançados, como quem lê o jornal logo cedo, entre um gole de café e uma mordida no pão. Adoro a mistura de erudição, humor e objetividade que só ele tem, pelo menos com essa leveza O conto que dá nome ao livro é um primor de inspiração e sensibilidade.

Mas o texto que me tocou de maneira muito especial foi outro, O Expert, que, segundo ele, foi inspirado em uma história de Vladimir Nabokov. Parecia que ele tinha escrito para mim. Não, não é o que você está pensando..Não tenho a pretensão de me comparar com Nakoobov, o autor de Lolita -que conta o drama do professor Humbert quando se apaixona pela ninfeta Dolores - e que, além de literatura, era fissurado por xadrez e por borboletas. Quem me dera...

Acontece que o conto é sobre um sujeito que adora ler, e que, quando é preso (aparentemente na época da ditadura), se vê privado de seus livros. A dor dessa privação, a reação psicólogica dele, os acontecimentos e as consequências para sua vida são os componentes da trama de Veríssimo.

Tive uma simpatia imediata pelo personagem, pois me identifiquei com ele. Também adoro ler, e posso imaginar como ficaria se fosse, de repente, proibido de mergulhar em um livro, folhear revistas ou mesmo ler jornais. Será que toleraria? Eu preciso de letras formando frases e traduzindo idéias. Faz parte dos meus hábitos higiênicos, digamos assim.

A falta que um livro faz

Como estava no avião, lembrei-me de outra ocasião que cheguei em cima da hora ao Santos Dumont para pegar a ponte área para São Paulo, e fui imediatamente conduzido ao embarque por uma funcionária prestativa, mas afobada. E só quando estava na porta do avião me dei conta que não tinha nada para ler nas mãos.

Ainda olhei para trás e vi, por cima do ombro, a livraria e revistaria que há na sala de embarque, mas não dava tempo. Acho que tive palpitação.

Pode parecer exagero - e era mesmo-, mas de repente eu me senti como um asmático que começa a chiar como um gato quando percebe que está sem seu inalador, a famosa "bombinha". Se tivesse ao alcance da mão, não teria crise.É uma variante da "síndrome de abstinência" do drogado, que precisa da droga não para se sentir bem, mas para não se sentir mal. Ok, foi uma bobagem, eu sei, pois a viagem seria de 40 minutos, e eu estava sentado na janela do avião, de onde se tem uma das mais lindas vistas do mundo após a decolagem, que inclui contornar o Pão de Açúcar e apreciar toda a Orla da Cidade Maravilhosa, e eu tratei de relaxar e aproveitar a viagem (como aliás, surgeriu o comandante).

Mas aquela situação toda serviu para me fazer entender algo sobre mim mesmo. Me dei conta do quanto um livro é importante para mim.

Quando tenho um por perto, mesmo que não esteja lendo, me sinto melhor. Acho que sempre, foi assim, desde menino, quando aliás, tinha asma e era introspectivo. Acho que, com o tempo, o hábito não só se consolidou, como se exarcebou. Atualmente eu, simplesmente, preciso de um livro.

Ele me proporciona um dos momentos mais prazerosos, e olha que há muitas outras coisas que tambem fazem parte de meu cotidiano.

A leitura é uma maneira de aplacar uma espécie de sede. A sede do cérebro. Pena que muitos não sintam essa sede. Parecem já saciados, como dizia o Drummond, sem perceber que estão desidratando suas almas.

Ler ajuda a enteder a vida

Como professor, tenho uma mania que se transformou em uma pesquisa informal. Costumo perguntar, durante minhas aulas ou palestras, o que meus alunos andam lendo. Pouca coisa, concluo. Ás vezes, cito alguns livros relevantes para saber se fazem, ou se já fizeram, parte dos interesses de alguém. Confesso que o número de mãos levantadas não costuma ser grande. O que me consola é que muitos anotam e demonstram interesse em procurar depois. Já valeu.

E aqui é necessário estabelecer uma diferença. Há livros e livros. Todos são bons, mas o ideal é procurar uma, digamos assim, combinação complementar. Como em geral falo para plateias de alunos de pós-graduação ou executivos de empresas, é natural que eu cite livros de autores mais técnicos, como Jim Colins, Michael Poter, Ram Charam ou mesmo Malcom Gladwell, que escreve sobre pesquisas comportamentais.

OK, mas há muito mais nas prateleiras. Há os romances. E eles, definitivamente, não sõ apenas para diversão.

Há pouco, tive acesso a uma pesquisa para lá de esclarecedora. A professora Maja Djikic, Ph.D. em psicologia, da Rotman Scholl of Management, no Canadá, publicou um artigo cientifico intitulado Opening the Close Mind ( algo como " Abrindo uma mente fechada), em que relata os resultados de uma pesquisa conduzida pelo Laboratório de Desenvolvimento Humano, da qual é diretora.

O artigo explora os efeitos da leitura sobre uma condição psicólogica chamada necessidade de fechamento, em que a pessoa apresenta dificuldade em lidar com as ambiguidades e incertezas, o que a prejudica muito, especialmente na tomada de decisões e no estabelecimento de relações humanas. O resultado da pesquisa pode ser adapatado a todas as pessoas.

As pessoas que leem romances têm mais facilidade para lidar com fatos do cotidiano, praticam mais empatia com quem se relacionam e são menos vulneváreis ás dificuldades da vida.

Em resumo, a pesquisadora criou grupos de pessoas classificadas por seus hábitos de leitura. Havia o grupo dos que liam livros e textos técnicos, o grupo dos devoradores de autoajuda e os que gostavam de literatura em geral, incluindo romances. E, claro, o grupo dos que não liam nada.

Conclusão? As pessoas que liam romances tinham mais facilidade para lidar com fatos do cotidiano, praticavam mais empatia com as pessoas de seu relacionamento e eram menos vulneráveis ás dificuldades da vida.

Livros são sobre gente

Eu interpreto que isso acontece porque os livros técnicos conferem segurança. Sua finalidade é ensinar. Os de autoajuda têm o propósito de mostrar o "caminho das pedras". Nada contra, mas a vida é mais complexa.

Por isso, os romances são fantásticos. O italiano Italo Calvino escreveu uma pequena obra útil chamada Por que Ler os Clássicos. Calvino começa dizendo que um clássico é aquele tipo de livro que as pessoas dizem que estão "relendo", nunca "lendo".ok, um clássico é um livro que conquistou seu lugar na história da literatura, serve de inspiração para outros autores e embala os sonhos de milhões de pessoas, de Homero a James Joyce, passando, claro por Shakespare, que redefiniu o conceito de um autor clássico. Depois dele, todos os autores parecem ser seus discípulos. Cervantes, apesar de ser seu contemporâneo, e dotado de gênio literario igual grandeza, não foi tão pródigo em personagens.

Longe de mim achar que sou um leitor de clássicos. Sou apenas um curioso. Outro dia comprei Gênio do professor Harold Bloom, em que ele faz uma análise de cem autores, e me senti uma formiga. Meus conhecimentos de literatura são superficiais, admito, mas, mesmo assim, não sei o que teria sido de meu caráter sem a influência de tipos tão plurais como a turminha alegre do Monteiro Lobato e a turma erutida de Diálogos de Platão. E também personagens que se tornaram meus cúmplices, como o Santiago, do Hemingway, o capitão Ahab, do Melville, o Holden Caulfield, do Salinger, o Brás Cubas, do Machado, O Gregor Samsa, do Kafka, o Dorian Grey, do Wilde, e, vá lá, até o Harry Potter, da Rowling.

A listinha acima é superinjusta, pois faltaram centenas. Eles apenas representam todos os que me ajudaram a pensar e a entender a vida. E, além disso, me divertiram muito. Sem esses maravilhosos seres imaginários, a vida teria sido muito sem graça. Obrigado, meus amigos.

*Texto de Eugenio Mussak


Espero que tenham gostado tanto quanto eu desse maravilhoso texto e também agradeçam os marivilhosos livros por serem  nosso fiel amigo :)

Beijos

Até mais...

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22 comentários :

  1. Boa tarde, Dessa.
    Nossa que artigo fantástico, palavras muito bem colocadas, de um jeito simples para todos entender. Não sou chegada a revistas, a combinação dinheiro e tempo não se dá bem comigo. Mas concordei com cada virgula dele. Também me sinto extremamente nua sem um livro, mesmo que eu saiba que não vou ler em tal lugar, um livro deve estar na minha bolsa, nesse momento no trabalho (não tenho nada para projetar, então venho ler blogs) tem um livro na minha bolsa, pra se caso der a oportunidade eu pegue-o e leia-o. Viajar sem livros é complicado, mesmo se for com turmas de amigos, gosto de ler mesmo. Finais de semana que não vou para a casa dos meus pais eu leio e escrevo hihi. E concordo com a analise de romances, não são só uma combinação de beijos e caricias, é uma percepção de vida a cada nova página. Bem, romance é meu tipo favorito de leitura, mas claro que de preferencia quando se tem mais conteúdo que o próprio romance em sim, mas ok.
    Beijinhos

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  2. Adorei essa coluna e posso afirmar que me identifiquei muuuuito . Quando estou no ponto de ônibus e vejo que esqueci de colocar um livro na bolsa, volto na hora e o busco
    Beijos

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  3. Que artigo incrível! É muito difícil eu sair de casa ser um livro e posso ler em qualquer lugar, inclusive em filas ou no ônibus... concordo com a defesa dos romances, pois há pessoas que realmente tem preconceito contra esse gênero.
    Beijos!
    http://sobrelivrosesonhos.blogspot.com.br/

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  4. Oi, eu achei esse artigo maravilhoso. Eu amo ler desde pequena e não consigo ficar muito tempo sem ler é como se ler fosse o meu vício.

    Beijos.

    http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

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  5. Que texto magnífico! E totalmente verdadeiro. Concordo com basicamente tudo, haha. Livros se tornaram meu refúgio.

    xx Carol
    http://hangoverat16.blogspot.com.br/

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  6. Esse texto é perfeito!
    Me identifiquei com várias partes, principalmente "Quando tenho um por perto, mesmo que não esteja lendo, me sinto melhor."
    O escritor com certeza conseguiu transmitir o que um livro representa para nós, amantes de livros!
    Adorei!
    Beijos

    Aline
    literalizandosonhos.blogspot.com.br

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  7. Adorei o texto, perfeito! Também me identifiquei muito, os livros também são muito importantes para mim e nem consigo imaginar como seria ser privada de poder ler, folhear e devorar uma bela estória.
    beijos ♥
    quemprecisadetvparaverbeyonce.blogspot.com.br

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  8. Que texto lindo,
    como não se identificar não é mesmo?? Todos nós leitores compartilhamos de vontades e atitudes. Não conhecia a coluna nem a revista citada, mas vou procurar para poder acompanhar as futuras publicações.

    http://soubibliofila.blogspot.com.br/

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  9. Boa tarde flor,
    Que texto hein? Sabe, me identifiquei em gênero, numero e grau com o autor. Acho que preciso tanto de livros quanto ele. Por exemplo: Fui internada domingo, e mesmo sem poder ler, deixei o livro na cabeceira da cama, só para me sentir mais tranquila. Deve ser horrível ter os livros tirados de você. Ter que passar algum tempo, por mínimo que seja, sem aquele hábito esplêndido que você tem, que é o da leitura.

    Além do mais, é obvio que quem lê romances tem mais facilidade para lidar com fatos do cotidiano, e com certeta que me encaixo nessa parte.

    Enfim, ótima história.
    beijos ♥
    http://pausaparaum-livro.blogspot.com

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  10. Adorei o post viu.
    Vou viajar dia 18 e já separei dois livros pra levar,ainda faltam dois,um pra ler no avião(2 horas de viagem rsrs) e o outro pra ler lá mesmo,fora que eu to levando o kindle também rsrsrs.
    Foi a tarefa mais difícil viu,nunca pensei que escolher livro pra levar fosse dar tanto trabalho.

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  11. Texto lindo, não consigo nem me imaginar sem estar lendo.
    A ideia do post é super legal.

    Beijos
    meupequenomundodeblablabla.blogspot.com

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  12. Tem como amar livros e não se identificar com esse texto? Só uma palavra pra definir essa matéria: perfeição!
    Amei a forma que o autor empregou as palavras. E partilho da "curiosidade" que ele cita.
    Adorei o texto e vou procurar mais textos do colunista dessa revista.

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  13. Adorei o texto. Acho que todo mundo que gosta de ler se identificou com o que você escreveu. Sem falar que a escrita é muito boa, tem um jeito com as palavras que toca a gente, sabe?
    Não consigo me imaginar sem livros. Não passo um dia sem ler, e sempre que saio levo um livro comigo, nem que seja um de edição de bolso, rs.
    Acho que é mania de quem é apaixonado por leitura!
    Enfim, amei o post!

    Beijos
    http://www.romanceseleituras.com/

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  14. Oi Andressa, tudo bom?
    Nossa que texto bacana. Eu também sinto essa necessidade de ter algo para ler durante meu dia. Nunca saio de casa sem um livro para ler, pois sempre há uma oportunidade para ler algumas páginas. Quando estou finalizando um livro e vou sair de casa, eu levo a leitura atual e minha próxima leitura para não ficar sem ler. É uma necessidade gostosa. O trecho que mais gostei foi: "A leitura é uma maneira de aplacar uma espécie de sede. A sede do cérebro. Pena que muitos não sintam essa sede. Parecem já saciados, como dizia o Drummond, sem perceber que estão desidratando suas almas."

    Beijos
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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  15. Muito bom este artigo. Aprendi a ler com os gibis da turma da Mônica e desde então nunca mais parei. Acho que nossas escolas deveriam mudar o modo de como impõem leituras aos alunos, pois em vez de ganhar novos leitores, o que fazem são afastá-los.
    Bjs, Rose.

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  16. Bem legal o testo :) eu sempre pego um gibi pra ler no dia quando estou sem nada pra fazer.Sempre quando saio pra algum lugar levo o livro que estou lendo um dia um amigo meu perguntou se eu era louco kks

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  17. Gostei demais do texto! Como o autor, me sinto vazia sem um livro, como se faltasse alguma coisa...
    Por isso, mesmo que não tenha tempo para ler, sempre tenho um livro comigo - na bolsa, quando estou no computador, cozinhando... Sempre! Me sinto bem assim!
    Beijos.

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  18. Nossa que artigo lindo! Já não imagino a minha vida sem a leitura. Os livros são muito mais que um passatempo, são parte de mim :)

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  19. Qualquer leitor se identificaria com esse texto!
    OS livros realmente conseguem abrir as portas da alma. Tantas linhas lidas tinham que nos ensinar algo. Nos ajudar a solucionar um problema, a conhecer novos lugares imaginários e, porque não, nos ajudar a descobrir quem realmente somos. Ler já é um pedaço de mim e sem um bom livro ao meu lado me sinto sozinha, vazia. Como o autor do artigo, mesmo que eu não vá ler, prefiro sempre ter um livro ao lado rs

    Beeijos, Dreeh.
    Blog Mais que Livros

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  20. Amei este texto, concordo com cada
    palavra que o autor deste texto falou.
    Sinceramente, quem nunca andou de
    carro ou de ônibus com um livro na
    mão, mas nem chegou a ler? Carregou
    só pelo prazer de sentir uma ótima
    literatura em suas mãos???
    Eu já, várias vezes.
    Infelizmente, no meu caso pelo
    menos, posso contar nos dedos
    quantas pessoas conheço que gostam
    de ler....
    A leitura nos trás tantos benefícios...
    não sei como tem gente que não
    gosta de ler...

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  21. Este comentário foi removido pelo autor.

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  22. UAU!!! Que texto foi esse???
    Ele conseguiu expressar exatamente tudo que eu penso. Acho que eu meus livros são meio que uma extensão de mim, quem me conhece sabe que eu não vivo sem um livro é como se me faltasse um pedaço, pra onde eu vou tenho que ter meu companheiro do lado.

    Bjks

    Patty Santos - Blog Coração de Tinta
    http://www.coracaodetinta.blogspot.com.br/

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