Resenha: O Livro do Juízo Final

 
O Livro do Juízo Final

Autor: Connie Willis
Editora: Suma de Letras
Gênero: Fantasia / Ficção / Ficção científica / Literatura Estrangeira / Romance
Páginas: 576
Sinopse: Skoob
Avaliação:




Olá, esse livro me chamou muita atenção logo assim que lançou e eu solicitei ele para resenha. A resenha demorou um cadinho a sair desde a minha leitura, devido a questões técnicas pessoais, mas não poderia deixar de comentar com vocês as minhas impressões.

Gente esse livro é daqueles que te deixa de boca aberta e te faz pensar: "Uau!"

O Livro do Juízo Final traz uma ficção científica para lá de empolgante, nos trazendo uma história futurística que se passa em 2054 onde viagens no tempo é algo como viajar de avião para um lugar "ali". Nesse caso uma das instituições que aproveita muito essa facilidade é a faculdade; e essas viagens são usadas por historiadores, onde podem viajar no tempo e vivenciar eventos importantes. Mas não é só viajar e pronto é muito importante a preparação para tais viagens; afinal viagens no tempo podem trazer seus prejuízos, como já sabemos. Mudar o rumo das coisas é uma delas e se perder no tempo, entre outros.

Kivrin é a típica destemida, e determinada a realizar seus feitos e com isso, sua meta é 1320, iniciando assim os preparativos necessários para se prevenir de quaisquer problemas; ela estuda a época em que irá visitar, desde a língua, aos costumes e todo o resto necessário para obter sucesso; além de tomar muitas vacinas que podem prevenir todo tipo de doença e preparar sua aparência para se encaixar na era que irá visitar.
Após tudo estar organizado; aparentemente com tudo que possa vir a ser necessário, seu orientador na faculdade mesmo sendo contra por considerar extremamente perigoso, começa a verificar as medidas para a viagem de Kivrin; nenhuma viagem foi realizada para a idade média, mesmo no período não tendo doenças significativas ou crises perigosas, ainda assim é um salto muito grande no tempo e isso faz com que Dunworthy seja contra e considere tal salto um imenso perigo! É um período que mulheres não "andam sozinhas" e isso já é um imenso empecilho para a mente de Dunworthy que dispara alertas o tempo todo com inúmeras coisas que possam vir a dar errado!

O responsável pelo departamento passa a ser Gilchrist, pois o  diretor entra de férias, e ele decide que Kivrin vai ter seu salto para o tempo desejado, mesmo que ainda falte mais pesquisas que garantam a segurança de Kivrin e de todos; digamos que ele é oportunista e se acha muito esperto. Se trata de uma imensa descoberta e proveitos que possam vir de tal salto e Gilchrist não vai desperdiçar essa oportunidade! Kivrin está completamente de acordo, pois acredita ter todo o necessário: uma história convincente para sua aparição na era média e todo o resto; o período previsto para sua estadia é de cerca de duas semanas, dando tempo de estudar costumes, ações e um cemitério que está sendo escavado e retornar com sucesso para seu grupo na faculdade.. Com tudo documentado!

O que resta saber é se Kivrin está realmente preparada para o que está por vir?

Em dado momento um técnico fica doente e as perguntas a cerca da segurança dessas viagens no tempo passam a ser ainda mais minuciosas, afinal de onde veio essa doença? E principalmente será que algum viajante no tempo ao invés de apenas trazer, não levou a doença para uma de suas viagens, como Kivrin? E o que isso pode ocasionar?
As coisas não parecem tão no controle quanto se imaginava; a viagem no tempo de Kivrin mostra ser ainda mais desafiadora e cheia de "novidades" do que o previsto. Pois o responsável por saber se ela se encontra em segurança está temporariamente "fora do ar" tão doente que precisa ser levado ao hospital. Levando em conta que em 2054 não existe nada parecido com a doença que Badri desenvolveu; algo está muito errado e fora do controle!

Em contra partida, Kivrin se encontra no século XIV e fica doente pouco depois do seu salto, despertando em um local cercada por estranhos e com uma língua diferente da que ela havia se empenhado tanto em aprender; o seu tradutor não está funcionando, ela não consegue lidar com nada do que está acontecendo como previsto. Doente, ela pensa o mais rápido que pode e passa a registrar a vida dos estranhos ao seu redor que estão em um constante ir e vir, com mulheres cuidando dela e lhe dando todo o necessário para se restabelecer. Ela conhece Imeyne e Eliws que são filhas de Rosemound e Agnes e muitas outras pessoas, já que acaba acolhida em uma casa em que o dinheiro não é problema possuindo bens e servos. Além de conhecer um padre estranho de começo, chamado Roche. Kivrin meio que se adapta demais a essas pessoas e se vê envolvida cada vez mais em suas vidas e preparativos para o natal, mas sabe que isso não pode ser definitivo. Tudo fica perigoso demais, pois alguém que deveria estar ali apenas para observar, preparada (teoricamente) para a era visitada (se é que ela está onde deveria) pode vir a mudar o curso de tudo. Afinal o que acontecer não tem volta e poderá mudar o passado e todo o futuro de maneira drástica e inesperadas! E agora? Estaria Kivrin presa no passado e correndo risco de por tudo a perder para todos em 2054? Afinal ela não sabe nada do que está acontecendo na sua era.

Dunworthy está disposto a resgatar a jovem, porém encontra empecilhos, além de muitas outras pessoas começarem a desenvolver a tal doença misteriosa, mesmo com toda tecnologia de 2054, nada parece ser o suficiente para deter essa doença misteriosa. 

Enquanto em 2054 a doença se alastra cada vez mais rápido deixando Oxford em quarentena e fazendo com que os pesquisadores se desdobrem em uma corrida contra o tempo para curar as pessoas; na idade média Kivrin vai sarando e nenhuma outra pessoa encontra-se com a mesma doença que ela. Com isso ela passa a tentar descobrir como voltar para o seu tempo. Se não estiver lá no local e hora marcados o que será do futuro? Ficará perdida para sempre no passado tendo que aceitar uma nova vida, porém o mais importante é que consequências isso teria para a história?

A história, apesar de conter muitos detalhes como livros assim contém, de maneira nenhuma é chata ou repetitiva, pelo contrário; tem uma narrativa fluída e intercala momentos entre 2054 e a era média onde Kivrin está. E não apenas ciência está envolvida no enredo, mas religião, crenças e esperança. Assim como perguntas: "será mesmo correto tudo isso?" - estariam a população de 2054 vivendo um colapso por conta de vaidade e excessos cometidos por tal ato dando um de Deus e mudando o curso da história ou evoluindo tanto que a ganância e busca por interesses de realizações pessoais superam os aprendizados cristãos? Brincar de Deus pode ser perigoso! Além disso a autora consegue com maestria criar personagens críveis com personalidades tão bem delineadas que chegamos a pensar que estamos lidando com fatos reais e pessoas reais!

Resumindo, pois queria ficar aqui falando e falando sobre essa história incrível; tive uma oportunidade fantástica de ler esse livro que tornou-se especial em muitos sentidos e recomendado por mim de olhos fechados!


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