Resenha: Graça e Fúria

Graça e Fúria
 
Série: Graça e Fúria #1
Editora: Seguinte
Gênero: Fantasia / Ficção / Jovem adulto / Literatura Estrangeira
Página: 304
 Sinopse: Skoob

Avaliação: 




Oi gente! Hoje trouxe uma resenha de um livro que eu não esperava muito, mas me trouxe grandes surpresas.. E já já explico por qual motivo.

Graça e Fúria é uma fantasia que nos trás um mundo onde as mulheres não tem voz, elas são submissas e ensinadas assim desde pequenas. A única coisa a mais que uma mulher pode almejar na vida é ser uma das Graças do Herdeiro, filho do rei governante da cidade que também tem suas Graças. O que seria ser uma Graça, ser uma mulher dotada de habilidades artísticas como tocar um instrumento, cantar ou algo do gênero, saber se portar, ser submissa, mulheres criadas para não confiar em outras mulheres, pois elas são suas oponentes na corrida para quem será a "Graça Maior" que é aquela que gera os herdeiros, entre outras qualidades.. Um herdeiro, na sucessão tem direito a ter muitas graças, tantas quanto desejar e sim, ele faz sexo com elas e as exibe, entre outros.

Bom.. Agora vamos falar das irmãs, Serina que em toda sua vida foi criada para se tornar uma graça e Nomi, que é meio moleque, sem papas na língua e que tem um irmão ao qual "obrigou" que lhe ensinasse a ler, algo proibido em Viridia. Mulheres são inferiores e servem para ser graça ou fazerem o que lhes for ordenado. Graças são como esposas, mas no caso o herdeiro ou o rei supremo, pode ter um harém se assim desejarem!

Serina e Nomi são completamente diferentes em seus desejos, para Serina, ser Graça é seu maior sonho, é sinônimo de boa vida, riquezas, belezas e afins, enquanto para Nomi é uma sentença de inferioridade ainda maior do que as privações que as mulheres já sofrem no cotidiano. Nomi é rebelde, mas ainda assim ama sua irmã e vai junto com ela para o palácio na seleção das Graças, para ser sua aia, afinal ela precisa trabalhar e não vai deixar sua irmã só. Porém as coisas fogem absurdamente ao controle. Pois Nomi é pega no corredor, onde não deveria estar e se depara com o herdeiro e seu irmão, com isso ela acaba chamando atenção. Ela havia descoberto a biblioteca e roubou um livro. O mesmo não é descoberto nesse momento.

Acontece um evento em que o herdeiro conversa e socializa com as pretendentes a Graça e ele faz várias perguntas para Serina com relação a Nomi. E quando vem o anúncio das escolhidas para Graça, eis a maior e desesperadora surpresa. Nomi é citada como Graça, enquanto Serina se torna sua Aia. Isso gera um certo desconforto e também descontentamento das duas partes.. Mas ambas aceitam seus papéis invertidos, com um pouco de faíscas. Porém se o que está ruim não pode piorar.. Aí que nos enganamos.. Serina é pega com um livro na mão, recitando de cabeça um trecho que lembra de quando sua irmão lia para ela na infância e logo os guardas são chamados e ela é levada. Dão outra Aia para Nomi e a mesma fica proibida pela Graça Maior de mencionar o nome da irmã. Claro que ela quer saber o que aconteceu com Serina. Serina não entregou a irmã que é quem sabe ler de fato e assumiu a responsabilidade, pois dizer a verdade poderia ser pior para as duas e até envolver Renzo - o irmão que ensinou Nomi a ler.

Passa os dias e Nomi vai se adaptando a nova vida de Graça, sem muito apreço, mas conhece melhor Asa, e parece se apaixonar por ele e acreditar que ele vai ajudá-la a mudar as coisas.. Em dado momento um livro aparece em seu quarto, isso assusta Nomi, mas ela não resiste e o lê. E acaba descobrindo uma história que ninguém ali conhece, onde no passado mulheres não eram inferiores, onde existiu uma rainha e suas sucessoras, onde a mesma foi traída, até chegar nos dias atuais. Nomi acredita que um dia as mulheres possam vir a ter voz novamente. E aos poucos entre aulas de etiqueta, danças, encontros secretos com o irmão do herdeiro e outros ela vai traçando um plano para reaver sua irmã que foi parar em um lugar muito muito ruim, para onde são enviadas ladras, assassinas e afins.. Sempre mulheres.

Intercalada a história que Nomi nos conta, temos Serina, uma Graça sendo enviada à uma ilha onde as mulheres são postas à própria sorte, tendo que inclusive lutar até a morte umas contra as outras para ter comida e viver mais um dia.
Nessa ilha, as mulheres são divididas em grupos e esses grupos sobrevivem cuidando umas das outras, mas matam as dos grupos adversário por comida e por serem obrigadas pelo Ricci, quem toma conta do local.

Ao poucos Serina me surpreende muito, pois uma mulher criada para ser submissa, para ser educada, desviar o olhar, entre outros, vai criando força e ganhando voz e é motivo de uma rebelião e acaba em certo momento espalhando algo que é muito falado nos dias atuais, sororidade. Afinal, por qual motivo mulheres ficarão umas contra as outras, se matando, se elas estão em maior número que os guardas da ilha.. Assassinar, é algo que Serina não pretende, e quando ela é escolhida para lutar até a morte, mesmo ganhando a luta se rende e pelas regras, quem se rende não pode ser morta.. Mas com isso ela tirou as rações do seu grupo e acabou banida para se virar sozinha.. Se com um grupo já era difícil, sem ninguém, é muito pior.. Mas ela aos poucos, como eu disse, ganha força e voz.. E muda a realidade da ilha.. Mas isso ficará para o próximo livro, que já estou super ansiosa por ler.. Ainda mais depois de um final onde vemos traições, usurpadores do trono, entre outros..

Eu esperava que Nomi demonstrasse mais inteligência em suas escolhas e realizações do que Serina; mas foi Serina quem me surpreendeu. Apesar de Serina estar muito magoada e culpar de certa maneira sua irmão por tudo que está acontecendo; ficar no seu lugar como Graça, ter ido parar na ilha pelo crime de ler, sem nem ao menos saber ler.. Ela aos poucos cresce e percebe que sua irmã pode estar em mais perigo que ela, afinal ela ficou em um covil onde desconhece as regras e é uma rebelde por natureza.. Serina, luta com tudo que tem, sempre pensando no que sua irmão faria.. Enquanto Nomi, faz o que pode para descobrir o paradeiro da irmã e resgatá-la; mas entrega sua confiança à pessoa errada.. Mas entendo que isso também se deve ao fato de que Serina, foi criada para desconfiar de outras mulheres, enquanto Nomi estava preocupada com outras coisas.. E no fim Serina percebe que não deve desconfiar de outras mulheres ou vê-las como inimigas, mas sim no famoso e popular jargão "a união faz a força" e com isso vemos um movimento feminista lindo crescer e crescer..

E o resto, não sei! Pois ficou para o próximo livro...
 
A pergunta que vocês se farão constantemente durante a leitura é em quem confiar no herdeiro ou no seu irmão.. Eu não me enganei, mas sei que muitos poderão se enganar..
 
Este é um livro classificado como jovem adulto mas que sinceramente, pertence igualmente ao a todas as idades e público, pois nos trás assuntos tão em alta, que apesar de uma fantasia e ficção, vem as reflexões sobre o poder do empoderamento, da sororidade, apatia, força, entre outros.
Narrado em terceira pessoa, Graça e Fúria nos fez adentrar em cada personalidade e conhecer tanto Serina, quanto Nomi. Defeitos e qualidades.. Erros e acertos..
Se Serina seria Graça e Nomi seria Fúria - ouso dizer que até nisso de certa forma os papéis se inverteram.. Serina é tão Graça, quanto Fúria, e agora ninguém para essa menina!

A inversão dos papéis foi uma das sacadas mais geniais da autora e explorar o quanto o ser humano se adapta em meio às adversidades apresentadas.. Ela soube desenvolver o enredo com maestria.. E já estou louca pelo próximo volume! Venha com alegria que estou esperando de braços abertos!

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